Seu coro precisa de você AGORA!

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Durante a pandemia, alguns cantores abandonaram os grupos alegando não querer participar das atividades on-line. Prometeram, entretanto, voltar assim que os trabalhos se “normalizassem”, como se houvesse alguma maneira de voltar ao que era antes, sem levar nada do que foi construído durante a quarentena.

Neste blog, escrevi alguns artigos mostrando que o coro que se propõe a manter os trabalhos como antes da pandemia, está fadado ao perecimento. Hoje, afirmo que, cada vez que um cantor sai do coro alegando não querer participar remotamente, contribui para acabar com todo o trabalho.

Senso de pertencimento

Se chegou num coro que possui várias pessoas e soa grandioso, considere-se uma pessoa de sorte. Só quem participa da implantação a partir do zero, sabe como é difícil. O alicerce dessa atividade é construído com muito empenho em um trabalho de colaboração intensa. Já vi muitos projetos estacionarem por não ter retorno suficiente, ou por não atender aos anseios dos integrantes. Corais novos exigem muito esforço, e são poucos os que estão dispostos a encarar essa empreitada. Portanto, se você tem um grupo coeso e atuante cuide dele agora, pois, se for desmobilizado, o dano pode ser irreversível.

Cuidar do coro é responsabilidade de todos

O trabalho coral é um constante convencimento dos integrantes para comprarem o projeto original do grupo. Esse projeto não é, necessariamente, o mesmo do início do coro, mas, normalmente, respeita sua filosofia original ao manter o espírito genuíno do conjunto, com as mudanças necessárias ao seu crescimento.

Todos os coros que iniciei, não obtiveram um retorno musical satisfatório logo de início, financeiro, então, nem se fala. Tive que dar muito sangue e arcar com prejuízos de diversas naturezas para fazer dar certo. Meu combustível sempre foi o gosto pela prática e o desejo de realizar os projetos. A vigilância é contínua, pois, cada situação traz um desafio.

A pandemia forçou a transformação para a melhora, mostrando um caminho que torna o trabalho remoto benéfico e viável. Assim, temos duas novas situações: um coro que “compra” a ideia de trabalhar de acordo com a tendências do século XXI, ou um coro que desiste dos trabalhos e se arrisca a desaparecer. Digo isso, pois, quem desistiu agora, dificilmente conseguirá se adequar às formas de trabalho que serão propostas no período pós pandemia. A tendência educacional é manter os meios informacionais de ensino. Não é o regente que define isso, mas as próprias condições de trabalho. Já tratei esse aspecto em outras postagens, mas, hoje, quero chamar atenção para outra perspectiva.

O maestro também pode desistir

O regente vive de fazer música. É um profissional autônomo. Se for um músico de qualidade, consegue facilmente se inserir em outras áreas, compensando a perda do coral. Com a pandemia, inclusive, muitas outras formas de atuação surgiram. Portanto, se seu regente é um profissional altamente qualificado, com certeza está encontrando novas oportunidades. É melhor zelar pelo trabalho dele, pois, pode ser que, por não alcançar os objetivos, não valha a pena continuar.

Há muitos bons profissionais por aí. Nenhum regente é insubstituível, mas qualquer renúncia de liderança gera crises. Se o regente sai porque o coro não está funcionando, significa que já existe uma crise estrutural. Num coro debilitado, a saída do maestro pode ser fatal.

Para o trabalho se manter, precisa existir

Todo o conjunto coral busca um resultado musical. Na ausência desse resultado, os cantores se desestimulam e, aos poucos vão desistindo; as instituições não veem benefício em manter o trabalho e deixam de investir. Um aspecto está vinculado ao outro. Não estou dizendo que todo coral precisa soar profissional. Estou afirmando que todo coral precisa trazer resultados musicais. Cada um em seu nível, precisa fazer música, para mostrar que existe. Portanto, mesmo que o salário do regente seja provido por alguém (instituição, patrocinador, provedor, etc), se o serviço não aparece, perde valor. Consequentemente, não há benefício em sustentá-lo. O cantor que desiste dificulta essa entrega, se for contribuinte, afeta a arrecadação e, ainda, desfalca o grupo.

Não existem coros sem cantores.

Aqueles que desistiram durante a pandemia, abandonaram os colegas e sobrecarregaram o trabalho. O cansaço desestimula. A desistência também. Se o grupo não estiver coeso para trabalhar na nova fase, vai desmantelar. E aí, aqueles que prometeram voltar após a pandemia, quando chegar o momento, talvez nem encontrem mais seus corais. Cada cantor que desiste joga uma pá de cal no projeto original de um coro. Por isso, zelem pelo trabalho, reconheçam o esforço de seus colegas em mantê-lo, guardem o espírito original do grupo e fiquem com ele. Aguentem firmes. Seu coral precisa de você agora. Após a pandemia, pode ser tarde demais.

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Comentários

  1. Rafael, como sempre muito bem colocado. Seus artigos são elucidativos e incitam à reflexão. Parabéns!! Sou sua fã!

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    1. Muito obrigado Lolly!
      Fico feliz que tenha gostado.
      Um grande abraço!!

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  2. Respostas
    1. Feliz pela sua participação Cláudio.
      Um grande abraço!

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  3. Muito obrigada por este texto, Rafael! Ele me ajudou bastante, pois confesso que estou em um período de desânimo completo, no que trata de canto coral. Vou me esforçar mais! 😘

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  4. Rafael, você deu um sinal de alerta, fundamental! Após a crise os corais virão em outro formato, com a adição dos novos meios on line. Parabéns pelo artigo.

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  5. Adoro seus textos, Rafael. Sempre claros e diretos. Excelente abordagem! Parabéns!👍🏻😃😘

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  6. Rafael por ser um maestro
    Demais promissor tudo demao

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  7. quero dizer sua mao de sorte e porisso quem insiste em acompanhar você, vai bem.Paravens

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  8. Parabéns pelo texto!! Sempre nos incentivando a seguir no meio virtual !! Tamos indo......infelizmente alguns regentes também estão desistindo

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  9. Maestro, um ótimo texto, mais uma vez! Abordou assunto importante para a sobrevivência de um coro neste período de pandemia!

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  10. Parabéns, maestro! É bem pertinente o assunto tratado neste texto! Tenho visto vários colegas desistirem dessa nova forma de ensaiar, e de se apresentar como Coral! O medo e a resistência em aprender novas ferramentas de gravação, principalmente de uma geração considerada não informatizada, é grande! Entretanto, se não os superarmos, estaremos fadados a ver o canto coral acabar, em um futuro não muito distante! Novos tempos!

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  11. Rafael, sempre amei cantar nos coros da Acc.Particularmente amo musica de camera.Portanto estou em Maceió, sei que não estou ativo no grupo, pois estou um pouco desânimo em relação ao canto.Quem sabe me animo para o próximo virtual.Sempre admiração pelo seu fabuloso Empenho.

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  12. Esse texto está muito bom para a reflexão sobre um desânimo que pode ser paralisante. É certo que o tempo que vivemos trouxe desafios que nunca experimentamos antes. Pode-se argumentar que houve outras pandemias, como a gripe espanhola. Mas com os recursos tecnológicos para a saúde de hoje e principalmente a rapidez da circulação de informações, atingindo a todos, nunca existiu.
    O grande desafio é ver lá na frente o que pudemos construir nesse período tão desafiador.
    Não esmorecer e fortalecer a prática do coral é uma forma de ter certeza disso.

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  13. Parabéns pelo texto!! Sempre nos incentivando a seguir no meio virtual !! Tamos indo......infelizmente alguns regentes também estão desistindo

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  14. Excelente texto, professor Rafael. Seus textos provocam uma reflexão sobre o devido comprometimento de todos os envolvidos nessa "missão" música.

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