Céu de Santo Amaro: o que um coração de Flávio Venturini revela sobre como se escreve a história de uma música
Há pouco tempo, o próprio Flávio Venturini comentou um vídeo meu contando a história de "Céu de Santo Amaro". Três corações. No vídeo, contei como Flávio Venturini pegou a melodia do Arioso de Bach e escreveu a letra inspirado numa descrição que o Caetano Veloso fazia do céu da sua cidade natal, Santo Amaro. Uma música que muita gente atribui ao Caetano, mas que na verdade nasce como criação do Flávio — um caso, entre tantos, de contrafactum: melodia erudita preexistente ganhando letra nova em português, prática comum entre compositores brasileiros das décadas de 1930 a 1950. Minha primeira reação ao comentário foi lê-lo como uma espécie de validação: se a genealogia da música estivesse errada, ele teria corrigido — ou nem comentado, certo? Mas essa leitura é generosa demais. Um coração não confirma nenhum dado específico. Pode significar "gostei de ver essa homenagem" tanto quanto "sim, é exatamente isso" — sem que o Flávio tenha necessariamente coteja...