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A pesquisa em canto coral está sem referência

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A pesquisa em canto coral está sem referência — e o ensino online expôs isso Existe uma tradição confortável na academia musical: publicar o que os educadores já acreditam, empacotar isso em metodologia qualitativa e chamar de pesquisa. O artigo The Opinions and Suggestions of Choral Educators Regarding their Distance Choral Education Experiences" , de Sevan Nart e Ceren Doğan, publicado em 2024 no Pegem Journal of Education and Instruction , é um exemplo bem-acabado desse problema. Não porque seja mal-intencionado — é claramente um esforço sério dentro dos limites que se propõe. O problema está exatamente nesses limites: eles nunca são questionados. O samurai com a espingarda Vinte educadores corais responderam a um formulário online sobre suas experiências com ensino a distância durante a pandemia. A maioria nunca havia dado aula online antes. Tiveram dificuldades. Concluíram que o ensino coral a distância não funciona. Isso não é pesquisa. É um samurai segurando uma espingarda ...

Mulheres Podem Cantar, Mas Não Podem Mandar

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Mulheres Podem Cantar, Mas Não Podem Mandar: Gênero e Poder nos Corais Profissionais do Brasil Todo ano, quando chega o Dia Internacional da Mulher, meu costume é homenagear a data fazendo uma obra de compositora. Este ano não pude — e então escrevi este artigo. Uma opinião, nada mais que isso. Mas uma opinião que precisa ser dita, porque a autocensura é uma das piores coisas que existem, especialmente na academia, onde o silêncio calculado ajuda o status quo a se manter intacto. O ponto de partida é o artigo de Maria Rúbia de Moraes Andreta, intitulado " Mulheres e perspectiva de gênero: análise do repertório de coros profissionais do Sudeste do Brasil" O levantamento de dados feito por Rúbia é fundamental. Sem ele, o que vem a seguir seria apenas impressão — e impressão, por mais afiada que seja, não sustenta argumento. São os números e a sistematização da pesquisa que permitem transformar indignação em crítica. É disso que a área precisa: dados que deem coragem a quem que...

Fones de Monitoramento de Áudio para Cantores Iniciantes

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Você está começando no canto, quer gravar sua voz e não sabe qual fone comprar? Este guia foi feito para você. Vamos direto ao ponto: a maioria dos fones vendidos em lojas comuns não serve para monitorar sua voz durante a gravação — e saber o porquê vai te poupar muito dinheiro e frustração. O Problema das Lojas Comuns Iniciantes ficam perdidos na hora de escolher fones de ouvido para suas gravações e, com boa intenção, muitas vezes buscam o melhor disponível. O problema é que as lojas estão cheias de produtos pensados para vender, não para quem grava. O público maior que consome fones são aqueles que ouvem música, não os que produzem. É por isso que o mercado está repleto de fones com "super bass booster", Bluetooth, "vocal enhancer" e outras tecnologias que só servem para impressionar na embalagem. Essas tecnologias podem até parecer tentadoras, mas são armadilhas para quem quer monitorar sua voz de forma profissional. Som melhor é uma questão totalmente pessoal q...

Quem tem medo de cantar?

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Quem tem medo de cantar? A ciência por trás da baixa autoestima no coral Sabe aquela sensação de que certos padrões da vida são tão repetitivos que a gente até prevê o que vai acontecer? Quase todo mundo que frequenta o meio coral tem a intuição de quem são os cantores mais inseguros. Mas, em algum momento, alguém decide que a intuição não basta e resolve investigar academicamente o porquê desse padrão ocorrer. Foi exatamente isso que motivou um grupo de pesquisadores — três fonoaudiólogos e um regente de Bauru — a publicar um estudo na Revista CEFAC sobre a autoavaliação vocal de cantores de coral. Inexperiência gera insegurança? A pesquisa concluiu que pessoas com menos experiência vocal possuem uma autoestima mais baixa para cantar. Pode parecer óbvio, mas o papel da ciência, muitas vezes, é justamente provar o óbvio . Afinal, no mundo da música, sempre conhecemos aquele cantor iniciante que, mesmo sem técnica, "se acha" o novo Pavarotti. Contudo, o estudo mostra que, est...

Foi Boto Sinhá: Do Igarapé à Academia

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Você já parou para pensar como uma história contada na beira do rio se transforma em ciência e ganha o mundo? Recentemente, tive a alegria de publicar um artigo no congresso da ABEM (Associação Brasileira de Educação Musical) sobre a obra "Foi Boto, Sinhá!". Escrever sobre música é, para mim, uma extensão do que vivemos em sala de aula. O professor não é apenas alguém que "deposita" conteúdo nos alunos — a famosa educação bancária. Na verdade, é na nossa troca diária, na prática e no fazer musical, que o conhecimento nasce. O artigo é o registro desse saber que construímos juntos e que agora compartilho com outros pesquisadores do Brasil. A Ciência por Trás do Mistério Embora a canção pareça simples ao primeiro contato, a pesquisa revela que Waldemar Henrique utilizou uma técnica composicional refinada para capturar a essência da lenda. Ao analisarmos a partitura, encontramos o uso de modos árabes, que conferem aquela sonoridade exótica e envolvente necessária para ...