Foi Boto Sinhá: Do Igarapé à Academia

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Você já parou para pensar como uma história contada na beira do rio se transforma em ciência e ganha o mundo? Recentemente, tive a alegria de publicar um artigo no congresso da ABEM (Associação Brasileira de Educação Musical) sobre a obra "Foi Boto, Sinhá!".

Escrever sobre música é, para mim, uma extensão do que vivemos em sala de aula. O professor não é apenas alguém que "deposita" conteúdo nos alunos — a famosa educação bancária. Na verdade, é na nossa troca diária, na prática e no fazer musical, que o conhecimento nasce. O artigo é o registro desse saber que construímos juntos e que agora compartilho com outros pesquisadores do Brasil.

A Ciência por Trás do Mistério

Embora a canção pareça simples ao primeiro contato, a pesquisa revela que Waldemar Henrique utilizou uma técnica composicional refinada para capturar a essência da lenda. Ao analisarmos a partitura, encontramos o uso de modos árabes, que conferem aquela sonoridade exótica e envolvente necessária para a narrativa da sedução do boto.

Além disso, a obra trabalha a prosódia do caboclo: o ritmo da música não é aleatório; ele imita o jeito de falar, as pausas e a cadência do povo da floresta. Isso mostra que a nossa cultura popular possui uma sofisticação técnica que merece ser estudada com o mesmo rigor que as grandes obras europeias.

O Canto Orfeônico e a Identidade Nacional

O artigo também mergulha no arranjo coral de Aricó Júnior. Na época da sua criação, o Brasil vivia o auge do Canto Orfeônico, que tornou o ensino de música obrigatório nas escolas. O objetivo era nobre: fazer com que alunos de todas as regiões pudessem vivenciar o repertório nacional.

Ao cantar "Foi Boto, Sinhá" em um coro escolar, um aluno no Rio Grande do Sul ou em Minas Gerais podia "sentir" a Amazônia. Esse caráter nacionalista buscava unir o Brasil através do som, mostrando que a cultura cabocla não é apenas regional, mas um elemento fundamental da nossa identidade como nação.

A Música no Imaginário Humano

A música possui uma capacidade única de nos levar a lugares onde não podemos ir fisicamente. Através da relação humana, da memória e do imaginário, o momento musical cria uma ponte entre o real e o lendário.

Quando cantamos ou ouvimos sobre os igarapés, não estamos apenas reproduzindo sons; estamos acessando um patrimônio imaterial que nos conecta com nossos antepassados e com a natureza. A pesquisa serve para validar essa experiência, mostrando como o lúdico das lendas amazônicas é uma fonte inesgotável de inspiração para a composição e para o ensino.

Leia o artigo completo (e apoie a pesquisa!)

A pesquisa acadêmica só faz sentido quando circula. Ao ler o artigo, você entende como a ciência musical valoriza as nossas raízes e como o papel do professor é, acima de tudo, o de um eterno aprendiz que transforma a prática em pensamento.

Se você quer mergulhar nos detalhes técnicos e entender como a ciência revela a beleza dessa lenda, acesse o link oficial no site da ABEM:

📖 Leia o artigo completo aqui:

https://eventos.abem.mus.br/eventos/article/view/100

⚠️ Um pedido do professor: 

Sempre que for compartilhar este trabalho, utilize o link oficial acima. Ao baixar o arquivo diretamente do site da ABEM, o sistema contabiliza o interesse acadêmico no assunto. Isso gera pontos importantes para a pesquisa e ajuda a mostrar a força da nossa música brasileira no cenário científico!

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