Chatices corais - Temperatura Ambiente

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Acontecem algumas situações que, embora não determinantes para o bom andamento do ensaio coral, e nem caracterizem falta de educação, ou de modos, dos integrantes, são muito chatas.  Hoje, a postagem é sobre uma chatice coral muito comum: reclamações sobre a temperatura do ambiente.

Mediando conflitos

Muitos profissionais concordam que a atuação do maestro é como a de um professor. Cabe ao regente mediar as interações entre os integrantes do grupo diante dos desejos individuais. Na minha atuação, sempre gostei de trabalhar esses desejos de maneira liberal e democrática, abrindo um fórum de discussões e deixando as decisões para o grupo. Muitas vezes, rende um exercício democrático rico, onde a votação e/ou o bom senso define o rumo das coisas. Outras vezes, surge o conflito, exigindo do  grupo o discernimento necessário para tolerar o desejo do outro.

Temperatura ambiente

Não há nada mais chato do que mediar uma discussão sobre a temperatura local. A sensação térmica é algo muito pessoal e depende de diversos fatores. Homens, por terem metabolismo mais acelerado, tendem a sentir mais calor, mulheres na menopausa, também. Pessoas magras sentem mais frio, pessoas gordas, menos. Pessoas que chegam correndo ao ensaio sentem mais calor, pessoas que chegam calmamente e se encontram em estado de repouso, mais frio. Esses são alguns dos muitos quadros que podem causar diferenças quanto à sensação térmica. Já imaginaram a situação do maestro tendo que mediar esse conflito? Honestamente, na minha experiência, nesse embate, sempre ganharam os cantores mais chatos.

Defesa dos friorentos

O Rio de Janeiro, onde atuo, é uma cidade quente. Todos os lugares que trabalho possuem ar condicionado e, todos, mais potentes do que as salas podem suportar. Em um desses lugares, o ar condicionado só funciona na potência máxima e, de fato, muitas vezes faz muito frio e, para piorar, ao desligá-lo, faz muito calor. Situação muito chata que faz com que eu tenha que parar o ensaio a todo momento para ficar ligando e desligando o aparelho. Convenhamos: um cantor congelando não poderá render bem, por isso, é necessário encontrar uma temperatura que favoreça a melhor fluência da atividade.

Defesa dos calorentos

Os calorentos, por sua vez, chegam ao ensaio sempre esbaforidos e não param de se abanar. Abanar-se é um gesto claro de quem está com calor, e me deixa aflito. Afinal, ligar o ar não deixa os friorentos de bom humor. Mas um cantor com calor também não pode render bem em um ensaio. Então, o que fazer? Abrir as janelas é uma solução invernal. Mas, tratando-se do Rio de Janeiro em dias comuns, não agrada nada aos calorentos, pois não correrá vento algum e, se correr, dependendo do horário, será quente. Além disso, essa possibilidade só é possível em locais que possuem janelas. A paranoia de que pessoas podem se suicidar em prédios altos fez com que muitas instituições travassem as janelas e assumissem o uso constante do ar condicionado. Como fazer justiça neste momento? Não há como. O mais chato vencerá e, se for calorento, ligamos o ar, se friorento, desligamos ou abrimos as janelas, se houver.

Terceirizando a chatice

Certa vez, fiz o exercício de nomear "senhores do ar". Déspotas arbitrariamente nomeados por mim que possuíam o poder de definir a temperatura do ambiente. Uma tentativa frustrada de terceirização de responsabilidades. Os algozes do ar não conseguiam dar conta da função e os chatos acabavam vindo a mim. Gerir tudo isso era ainda mais complicado e rapidamente desisti da ideia. Mas valeu a tentativa.

Solução?

Tentar buscar nos aparelhos alguma temperatura que agrade a todos. Em alguns lugares, isso é impossível, pois eles só possuem uma regulagem que normalmente deixa tudo muito frio.
O direcionamento do ar também afeta a sensação térmica, por isso, talvez seja interessante direcionar o ar para um ponto neutro ou para um grupo calorento.
A solução é o bom senso e o saber ceder. Evitar os embates é uma postura nobre e ajuda a conter as hostilidades.

E aí? Gostou da postagem? Deixe um comentário!

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